quarta-feira, 8 de julho de 2009

A população que a sociedade rejeita quer sair das ruas


Moradores de rua são alvo de um trabalho incessante da Promoção Social para recuperar vidas perdidas para o álcool


Quem de Vinhedo nunca ouviu falar do Mané Borges? É um morador de rua que tempos atrás ganhou uma fortuna na loteria e torrou todo o dinheiro com álcool, mulheres e jogo (leia matéria abaixo). Vive hoje nas ruas e seu nome virou sinônimo de miséria e fracasso. Os pais amedrontam os filhos: “Não quer estudar nem trabalhar? Quer virar um Mané Borges?”

Mané Borges é apenas mais um entre os atuais 52 moradores de rua assistidos pela Promoção Social de Vinhedo, um trabalho difícil, que busca recuperar uma população invisível aos olhos da sociedade. Segundo a psicóloga Cristiane M.M. Valli, o perfil do morador de rua é o seguinte: a grande maioria é homem (só duas mulheres) e quase a totalidade, com exceção de um, é químico dependente, de álcool, ou álcool e drogas, geralmente crack. As idades variam de 20 a 72 anos, prevalecendo a faixa de 35 a 40 anos.

“Existem três tipos de morador de rua: o itinerante, que não cria raiz no lugar, também chamado 'trecheiro'; o dependente químico crônico, que sai de casa para usar drogas nas ruas; e os que perderam vínculo com a família, muitas vezes por desilusão amorosa”, classifica a psicóloga. Segundo Cristine, com as pessoas que não podem, ou não querem, se recuperar e reintegrar a sociedade, o trabalho é de redução de danos.

Dos 52 moradores que foram acompanhados pela equipe esta semana (o número oscila, geralmente para cima), 16 estão internados em três clínicas, três vivem na “pensão”, uma casa destinada a abrigar os assistidos, oito estão na convivência da família, dois estão na Toca de Assis, dois estão presos, quatro saíram de Vinhedo, cinco vivem com recursos próprios e um morreu. “Nosso índice de sucesso é de 68%, o que é considerado um bom resultado”, destaca Cristiane.

A equipe conta com apenas seis pessoas: uma psicóloga; uma assistente social; um estagiário; dois técnicos; e a coordenadora. O trabalho de abordagem é delicado, porque essas pessoas são desconfiadas, pela própria experiência de rejeição da sociedade. Depois de muita conversa e oferta de auxílio, conseguem conquistar a confiança e atraem os moradores para o programa de recuperação. “Nosso objetivo é tentar restabelecer um projeto de vida e reaproximar as pessoas de suas famílias”, explica Cristiane. Depois da alta terapêutica dos tratamentos, o programa continua com a ressocialização através de grupos de apoio como o alcoólicos anônimos, e com encaminhamento a cursos de reciclagem educacional.

Preconceito dificulta reinserção na sociedade

Uma das maiores dificuldades para consolidar a recuperação dos moradores de rua, depois de passar por todas as fases do programa e estar apto para a reinserção na sociedade, é a oportunidade de uma vaga no mercado de trabalho. O preconceito impera entre os empregadores, com base nos antecedentes destas pessoas, de vício e envolvimento em crimes, baixa qualificação e tempo fora do mercado.

É a dificuldade que está sentindo Marcelo Ferreira Silva, de 33 anos, já fora das ruas , ainda seguindo fases do programa de recuperação, mas sem oportunidade de uma ocupação profissional, um risco para a recaída e volta ao universo dos excluídos.
Marcelo sofreu uma profunda desilusão amorosa em Sumaré, onde era casado, tinha um filho e trabalhava como autônomo. Há pouco mais de um ano rompeu com a família e caiu na estrada, vindo acabar em Vinhedo. Alcoólatra e envolvido com drogas, deixou de trabalhar e passou a sobreviver pela caridade dos moradores do Aquárius. “Ia comprar uma casinha mas minha mulher não gostou do lugar. Brigamos e fui embora”, conta.

Envolvido com as más companhias e drogas, Marcelo foi resgatado pela equipe da Promoção Social, ficou quatro meses internado na clínica Raio de Sol. Quando se sentiu melhor foi visitar o filho no aniversário de seis anos. “Dormi com ele e estava bem, mas não sei porque usei novamente”, disse, referindo-se a uma recaída que o fez voltar à estaca zero. Continua internado em recuperação, e luta diariamente contra “uma doença que não tem cura”, declara, consciente que deverá se controlar o resto da vida.

Tudo que ele quer é encontrar um emprego com carteira assinada, ou trabalhar de caseiro em alguma chácara, para se estabilizar para tentar recuperar o filho. “Faço uns bicos e às vezes fico até de noite trabalhando para não cair na tentação do primeiro gole”, revela. Ele ainda 'mora' na clínica, onde participa de reuniões de grupo.

“A sociedade deve entender que as pessoas estão na rua porque não têm onde morar, que o alcoolismo é uma doença e muito não têm coragem de pedir ajuda”, reforça. “Vivos somos traídos; presos somos esquecidos; e mortos somos saudades”, filosofa.

Casal fugiu do Paraná após denunciar traficantes

O casal Eduardo Farias da Silva (44) e Juliana Leite (28) fugiu do Paraná depois de denunciarem o tráfico de drogas nas imediações onde moravam. “Se ficássemos lá a polícia matava, porque começaram a nos perseguir. Sobrou o mundo”, conta Eduardo. Depois do ocorrido, não tinha mais confiança em ninguém, e evitava as pessoas.
Juliana, alcoólatra como Eduardo, já tinha separado do marido, que ficou com a guarda dos três filhos. “Ele também era traficante, mas o juiz deu a guarda”, conta. Ela trabalhava na roça de café no Paraná, na capina e colheita.

Companheiros de copo e de estrada, Eduardo e Juliana andarilharam até chegar em Vinhedo, onde foram morar no mato. Montaram um espaço ao relento onde cozinhavam, com panelas velhas doadas, em um fogão a lenha improvisado com tijolos, próximo da Estrada da Capela. Juntaram algumas tralhas e ali viveram por três anos. Um dia roubaram suas coisas e encontraram abrigo na Igreja.

Eles mesmos têm preconceito das pessoas de rua. “Se tirar 10% o resto não vale nada”, diz Eduardo, desapontado com a traição. Em albergue se recusa a ficar, porque “só tem drogado, assassino e muita briga”, afirma. A esperança deles, que hoje moram na “pensão”, é arrumar emprego na agricultura da região.

Mané Borges: Uma das maiores 'lendas' de Vinhedo


Conhecido como um dos mais ilustres cidadãos vinhedenses, 'Mané' conta um pouco da sua fantástica história

BRUNO MATHEUS
bruno.matheus@folhanoticias.com.br

Do que se precisa para ser feliz? Quanto 'custa' para se ter uma vida plena e satisfeita? Uma boa reflexão sobre estas perguntas pode ser feita após um incrível papo com uma das maiores personalidades vinhedenses: Mané Borges. Quem não conhece, no mínimo já ouviu falar dele. Cidadão das ruas e bares, ele possui uma popularidade tão grande que alguns afirmam que o ilustre poderia ser facilmente eleito para vereador. “Quem não conhece o Mané, não conhece ninguém”, resumiu um de seus amigos.
Após um 'concerto' musical no 'Bar do Becker', na Rua Jundiaí – Centro, o 'multi-instrumentista' contou um pouco de suas experiências e histórias fantásticas com muita simpatia e bom humor.

Início na roça
“Nasci em Vinhedo mesmo e desde cedo trabalhava na roça carpindo. Perdi minha mãe com nove anos mas ela me ensinou que eu não devia roubar nunca. Depois fui criado por minha tia e estudei até a 2ª série. Mesmo nas ruas, nunca fumei e sempre tive boa conduta”, contou Mané. Ele também afirmou que já trabalhou na Rigesa, em Valinhos, época em que foi casado e teve quatro filhos. Aliás, foi nesta mesma fase que um certo dia Mané teve sua vida transformada.

A sorte grande
“Foi em 1973, eu estava saindo do trabalho quando um homem passou na rua e insistiu para que eu comprasse um bilhete de loteria. Eu não queria, mas resolvi arriscar. Quando vi o resultado depois, quase caí de costas”. Mané Borges ganhara uma 'bolada' na loteria o que garantiu ser hoje o equivalente a R$ 300 mil. “Porém, nesse tempo eu bebia muito e também comprei muitos carros, mesmo sem nunca ter tirado carteira de motorista. Um dos automóveis que tive foi um Simca Chambord vermelho e branco (um dos carros mais desejados da época). Gostava muito dele e fiquei com o 'Rabo de peixe' uns cinco anos até vendê-lo para o Kadú Galvão, que me pagou o triplo do valor. Hoje ele está lá no Wooly Bully”, relembrou.

Da 'pinga' a Turbaína
Mané Borges sempre vagou pela cidade, principalmente pela região central e praça Sant'Ana. Por tocar vários instrumentos, “toco violão, timba, percussão e canto”, afirmou, foi integrante da famosa 'Banda do Brejo' em Valinhos, onde tocava zabumba. O ilustre vinhedense também atuou nos desfiles da extinta escola de samba Garganta Seca. No entanto, por seus problemas com o alcoolismo foi internado na casa de reabilitação 'Raio de Sol'. Também passou dois anos e meio na 'Toca de Assis'.

Pelo tempo 'fora' das ruas, muitos pensaram que Mané tinha morrido. Recuperado, Mané continua frequentador assíduo de vários bares da cidade como o 'Bar do Rocha', mas só para manter o papo em dia com os amigos pois largou a 'pinga' e agora só toma Turbaína e leite.

O legado de Mané Borges

Detentor de um impressionante carisma, o personagem das ruas afirmou também que é sobrinho do lendário homem do poço. Piadista, sobre sua fama contou: “Uma vez eu estava em Ribeirão Preto sem carta, achei que ia ter o carro apreendido mas o policial que me viu me conhecia. Ele me parou e falou: 'Mané, você está sem carteira, né!?', eu admiti que sim e ele concluiu: 'Vai, pode seguir sossegado'.

Hoje, aos 61 anos, é praticante de bocha (afirmou que é campeão), sinuca, dominó e jogos de baralho como 'bisca'. Até pouco tempo atrás catava latinha mas atualmente atua mais como 'músico' às sexta-feiras no 'Bar do Becker', onde se apresenta com vários amigos entre eles João Cigano. Sobre seu gosto musical comentou: “Gosto de Nélson Gonçalves, Raul Seixas e Elvis Presley, mas meu gênero favorito é música caipira”.

Mané Borges está presente até no site de relacionamentos orkut, onde a ele é dedicada uma comunidade que integra 370 membros. A 'lenda' vinhedense finalizou proferindo: “Já fui atropelado várias vezes, assaltado e até me botaram fogo (ele passou quatro dias internado. Contribuo com as pessoas doando sangue, sou O positivo – doador universal. Como no La Budega porque me fazem um preço legal. Ressalto muito a amizade pois quem tem amigo, tem tudo. Sou muito feliz assim”.

Sociedade exclui e ignora


“Ligeira”, “trecheiro”, mendigo, indigente, pedinte, miserável, sem teto ou simplesmente morador de rua. Não importa a denominação, mas sim a condição de vida que possui um contingente incalculável de pessoas alijadas, marginalizadas, excluídas do convívio normal, e na grande maioria discriminadas, desprezadas e rejeitadas pela sociedade.

É uma população que cresce a cada dia como resultado inevitável do sistema capitalista copiado do modelo americano onde os vencedores ficam ricos e os perdedores são simplesmente descartados da mesma forma que produtos de consumo com validade vencida. A reportagem da “Folha de Vinhedo” foi investigar a realidade dos moradores de rua da cidade e encontrou pessoas frágeis, desiludidas e, invariavelmente, com problemas emocionais e de consumo de drogas, principalmente alcoolismo.

Um resultado que era esperado e não revelou muitas surpresas. Mas o trabalho desenvolvido pela Promoção Social na tentativa de resgatar essas vidas perdidas para o álcool, e o envolvimento de outros setores do poder público e entidades para atendimento a essa população, se revelou bastante interessante. Surpresa mesmo surgiu na entrevista do repórter Bruno Matheus com o morador de rua mais ilustre de Vinhedo, ícone e herói dos desgarrados do convívio familiar e social 'normal': Mané Borges, homem que ganhou na loteria e terminou nas ruas, venceu o álcool e hoje diz que vive feliz com sua condição.

O que mudou a vida de Mané Borges foi a fortuna repentina inesperada, e a dos outros moradores de rua a miséria gradativa e anunciada. O combustível para a jornada às sarjetas foi, para 95% dos casos, o alcoolismo. Daí surgiram a desagregação familiar, profissional e social. As desilusões amorosas fazem parte da maioria das histórias destes moradores como justificativa para a situação em que se encontram.

O resultado de recuperação dos moradores de rua pelo CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), de mais de 60%, é bastante expressivo, principalmente por se tratar de uma população resistente a mudanças em seu modo de vida, tanto por aqueles que escolheram essa opção, como pelos que não acreditam mais na possibilidade de voltar a integrar a sociedade. Os poucos que tentam enfrentam grandes dificuldades para reinserção no mercado de trabalho e são diariamente tentados a recaídas no alcoolismo.

A mudança de olhar da sociedade em relação a essas pessoas poderia ajudar bastante a facilitar o caminho de volta, mas a resistência parece ser muito maior que a daqueles que querem deixar as ruas.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Grupo Primavera incentiva leitura com kit de boneca, livro e bolsa


Criar o hábito de ler e desenvolver na criança o cuidado com seus pertences são os objetivos do kit, que traz uma boneca representando a personagem principal da história

A personagem principal do livro infantil ‘Sofia descobre o anjinho da guarda’, da autora Adri Weber, ganhou o formato de uma boneca de pano desenvolvida pela oficina de produção da ONG Grupo Primavera, de Campinas. A boneca segue as características descritas na publicação e integra um kit, formado também por uma bolsa em tecido e lápis de cor, à venda na Oficina Primavera, localizada no Galleria Shopping, em Campinas.

O objetivo do kit é fazer com que a criança aprenda o conceito de cuidar do livro e a partir de então adquira o interesse por mantê-lo sempre bem conservado. Em contato com a história, o pequeno leitor pode desenvolver sua criatividade com brincadeiras e desenhos, a partir da boneca Sofia e dos lápis coloridos que compõem o conjunto.

A escritora Adri Weber, que mora em Porto Alegre, também é voluntária em um projeto educacional com crianças moradoras de abrigos. ‘A parceria firmada com o Grupo Primavera só fortalece minha atuação voluntária. É ótimo poder trabalhar em equipe e com o kit teremos a possibilidade de atingirmos muito mais crianças’, diz.

A autora doou à instituição o montante em livros referente ao valor dos direitos autorais das obras em que a personagem Sofia é protagonista. Para ela, o trabalho desenvolvido pela ONG é diferenciado. “O Grupo Primavera pensa nos detalhes de cada uma das atividades. Nos projetos educacionais, por exemplo, há uma preocupação não só com o ensino e a educação da criança, como também com todos os componentes necessários para desenvolver seu potencial, aumentar seu aproveitamento e mantê-la nas atividades. Esse é um diferencial da ONG. Além disso, é uma entidade que trabalha apenas com meninas e mulheres que passarão para as próximas gerações todo o aprendizado obtido ali”. Para ela, a mudança na vida dessas mulheres é fundamental na cultura de suas famílias.

Kit

A bolsa, feita com tecido colorido, tem espaço interno desenvolvido especialmente para acomodar os lápis de cor e o livro e um bolso externo para que a criança tenha a opção de encaixar a boneca Sofia. No período pós-lançamento, os kits estão à venda exclusivamente na loja Oficina Primavera, localizada no piso 1 do Galleria Shopping, por R$ 55. Há ainda a opção da compra do livro por R$ 12 e apenas a boneca por R$ 28. O kit também estará à venda em livrarias, posteriormente.

O Grupo Primavera atende diariamente cerca de 400 meninas no Jardim São Marcos e conta com o apoio financeiro de empresas e o trabalho de inúmeros voluntários para a realização de seus programas sócio-educacionais, visando a inserção social e profissional do futuro das jovens.

Oficina Primavera - fone: (19) 3206.0267.

Piso 1 do Galleria Shopping – em Campinas

O planeta pede socorro


Muito se fala de desenvolvimento sustentável e redução da emissão de poluentes no mundo todo, diante do eminente desastre que será causado pelo aquecimento global e destruição da natureza, sem que no entanto medidas eficazes sejam efetivamente aplicadas para reverter essa tendência.

O que a humanidade quer é continuar o crescimento econômico e ampliar o consumo, condições de melhoria da qualidade de vida humana, embora signifique sacrificar a natureza e, a longo prazo, comprometer toda a vida no planeta, inclusive a humana. Ironicamente a crise financeira mundial foi a medida mais eficaz, nos últimos anos, para reduzir o ritmo de devastação imposto pelo sistema de produção industrial, gerando grande preocupação quanto ao impacto na segurança alimentar dos países pobres e no conforto dos países ricos.

Não existe uma fórmula única que possa resolver o problema, mas um conjunto de medidas racionais aplicadas de acordo com cada realidade regional pode equacionar a relação custo benefício no sentido ambiental, ou seja, investimento em sistemas de produção com menor impacto na natureza para obtenção de produtos de consumo, mesmo que isso signifique maior custo de produção, ou uma compensação, como a fórmula de créditos de carbono, para garantir a melhoria no meio ambiente.

Outras ações, aparentemente de pequeno porte, podem se somar para mudar os padrões de produção, de hábitos de consumo e de modo de vida, sem comprometer a qualidade global de vida e a natureza. Os estudos em produção de energia limpa de fonte solar ou eólica avançam, a utilização de combustíveis renováveis também, mas nada ainda em escala suficiente para reduzir sensivelmente a emissão de gases nocivos.

Tome-se por exemplo a evolução da produção do etanol no Brasil, que substituiu em boa parte o consumo de combustíveis fósseis e desenvolveu fórmulas de aproveitamento dos resíduos com resultados favoráveis à natureza: o vinhoto, que no início era descartado na natureza poluindo os mananciais, hoje é aproveitado como fertilizante, e o bagaço é usado na produção de energia elétrica, que proporciona autonomia às usinas e até gera excedente distribuído na rede.

Ainda não foram resolvidos os problemas das queimadas, mas a colheita mecanizada avança, a produção de energia é térmica e gera poluentes, e a ocupação de extensas áreas não tem solução à vista. Não é também uma fonte de energia totalmente limpa, que não comprometa o aquecimento global, mas sem dúvida gera um impacto menor no meio ambiente.

O conceito de sustentabilidade deve atacar as três maiores fontes de poluição no planeta: a construção civil, os meios de transporte e a produção industrial. Não há que se falar, ainda, da produção agrícola por monoculturas, porque é essencial para a sobrevivência da humanidade, mas deve ser tratada como um capítulo à parte na busca de soluções de menor impacto. A imposição de áreas de proteção ambiental, pelo Ibama, tem gerado protestos de agricultores pelo excesso de rigor.

Nos Estados Unidos o maior consumo de energia e eletricidade ocorre na construção de edifícios, sejam industriais, residenciais ou comerciais. No Brasil o alto índice de desperdício de materiais e o não reaproveitamento do entulho é notório e oneroso.

A adoção de medidas ecológicas durante as obras, primeiro com a escolha do local que não implique em desmatamento ou assoreamento de mananciais, depois com economia de água e de energia no uso de aço, de madeira certificada, tintas à base de água e plástico reciclado, lâmpadas econômicas, amplas janelas para iluminação e ventilação, e vidros especiais para isolar o calor do sol, são medidas que reduzem o impacto
ambiental não somente durante as obras, mas permanecem após a ocupação.

Durante o lançamento do programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal, que pretende construir um milhão de moradias, foi anunciada a instalação de coletores solares em todas as unidades para aquecimento de água, uma medida que vai gerar importante economia de energia. Está sendo avaliada também a construção de cisternas, para captação e aproveitamento da água de chuva.

Os meios de transporte devem ser equacionados, com ampla campanha que priorize o transporte coletivo e não o individual, como atualmente. A indústria automobilística é uma das molas propulsoras da maioria das economias contemporâneas, talvez a mais afetada pela crise econômica, mas pouco se fala do padrão dos produtos: veículos de uso pessoal, de grandes dimensões, na maioria das vezes desnecessárias, e de alto consumo, com pouca ênfase na produção de ônibus, trens, embarcações e aeronaves, de uso coletivo.

O transporte individual não gera impacto apenas no consumo pessoal, mas exige também a construção e ampliação permanente do sistema viário, a construção de áreas para estacionamento e outras obras que geram mais custos e poluição. Além da impermeabilização do solo, uma das maiores causas de enchentes nas grandes cidades.

Finalmente a produção industrial de bens de consumo que, na procura de redução de custos com vistas à competitividade, não prioriza a redução de emissão de poluentes, o uso de materiais e equipamentos de maior qualidade e durabilidade, ou mesmo um ambiente mais favorável aos trabalhadores. A concepção do produto descartável e de rápida reposição amplia não só os lucros, mas também o desperdício e as agressões ao meio ambiente. O enorme volume de lixo gerado pelo consumo de descartáveis é atualmente um dos maiores problemas das cidades, tanto pela falta de espaço adequado para o descarte como pelo impacto na natureza. O mais notório é o dos plásticos,
largamente utilizado em embalagens de produtos.

Somente a união de esforços das empresas, governos e consumidores, em colaboração mútua direcionada à proteção do meio ambiente e melhoria da qualidade de vida, pode garantir um futuro melhor para as próximas gerações. E a natureza agradece.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Hospital da Sobrapar inaugura nova área do Bazar


Para ampliar as vendas de roupas, calçados e móveis, o Bazar de Usados do Hospital da Sobrapar inaugura novas instalações. Responsável por 15% da receita do Hospital da Sobrapar, o Bazar de usados é uma importante fonte para a sustentabilidade da instituição e garante ao público maior economia e diversidade de artigos.

O hospital manteve a área antiga do Bazar de 200 metros quadrados onde são comercializados eletroeletrônicos, produtos de linha branca, livros e objetos de decoração, entre outros itens. Nessa área estarão dispostos também artigos de vestuário em promoção. Nas novas instalações, o Bazar conta com roupas femininas e masculinas usadas e algumas sem uso, calçados, gravatas, cintos, bolsas, cachecóis e lenços. No setor de móveis, o destaque é para sofás.

Com nove anos de atividades, o Bazar recebe doações de produtos e agora necessita ampliar as vendas para auxiliar o hospital em suas despesas. O objetivo da Sobrapar com as áreas de moda e mobiliário é conquistar mais consumidores, além daqueles que já circulam atualmente pelo campus da Unicamp. A população da Unicamp é formada por cerca de 19 mil estudantes e 14 mil funcionários, além de pacientes da Sobrapar e usuários de serviços de saúde do Hospital das Clínicas da Unicamp.



Bazar de roupas, móveis e utensílios do Hospital da Sobrapar

Local: Hospital da Sobrapar

Atendimento: 8h às 16 horas – de segunda a sexta-feira

Fone: 3749 9708

Endereço: rua Adolfo Lutz, 100 – Cidade Universitária – Campinas/SP

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Todo mundo vai ao circo, mesmo se for no teatro


Palhaço, mágico, malabaristas, acrobatas, adestrador de animais e toda a magia do circo transportada do picadeiro ao palco do teatro. Esta é a fórmula encontrada pelo Circo Bolshoi, um dos mais tradicionais do mundo, para viabilizar espetáculos ao grande público.

Com preços a R$ 6,00 o teatro fica lotado por um público diversificado composto na sua grande maioria por crianças ávidas por diversão em cidades do interior. “Vinhedo possui uma das quatro salas melhor estruturadas em todo o Brasil para abrigar este tipo de espetáculo”, destacou Augusto Stevanovich, proprietário do Circo Bolshoi no Brasil, com 15 anos de estrada pelo País, no intervalo da apresentação em Vinhedo. “Foi a primeira de uma série de promoções que pretendemos trazer para o público de Vinhedo”, destacou o diretor de Cultura, Paulo Ramos.

O espetáculo começa com o palhaço descontraindo o público chamando para a participação, que marca a maioria das esquetes. São apenas sete artistas no elenco, que pode chegar a 36 dependendo do tamanho do espaço, que contagiam o público com performances de tirar o fôlego. Youlia Simonova, uma bela loira, faz o papel de mágica e malabarista em diversas apresentações. Homiskaya Tatiana, uma senhora de 71 anos, impressiona pela disposição física em quadros de acrobacia e dança. Nicolai, o palhaço, leva o público ao delírio em cenas hilariantes.

Alan Stevanovich, filho de Augusto, de apenas oito anos, mostra toda a habilidade no adestramento de periquitos australianos, e as assistentes Ludmila, Alexia e Liúbia dão suporte aos artistas e demonstram habilidades também nas cenas de mágica e dança. “Alan é neto de Michail Simonovi, que passou um tempo em Cuba ensinando adestramento de animais”, conta Augusto Stevanovich, para mostrar a veia artística do filho.

Praticamente todas as cenas do palhaço contam com a participação do público, crianças e adultos que são levados ao palco para também testar a performance artística. Algumas cenas de mágica também contam com a presença de crianças. Essa interatividade dá maior dinâmica ao espetáculo e estimula o público. “Procuramos fazer um espetáculo enxuto, com cenas mais curtas, próprias para o público do teatro”, esclarece Stevanovich. “O público de teatro não vai ao circo, e o público de circo não costuma assistir a peças de teatro. Estamos tentando unir esses públicos”, reforça.


O Bolshoi é um estatal russa que possui, além do circo, também grupos de teatro, balé e música. “Na Rússia a maioria das cidades possui espaço fixo para o circo. Em Moscou as apresentações têm espaço no calendário turístico, e o público é fiel, estimulado pelos preços de ingressos a cerca de US$ 3 (três dólares)”, destaca Stevanovich.
A adaptação dos espetáculos aos palcos de teatro é uma tendência para manter a tradição circense independente dos altos custos de transportes da estrutura de um circo convencional. Mesmo assim o Bolshoi viaja com seis caretas para transporte de uma tenda onde realiza os espetáculos.