segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Vem aí a banda larga na rede elétrica


Em breve os computadores poderão acessar a internet por meio da rede elétrica, com uma conexão de banda larga mais rápida e segura que os atuais acessos por linhas de telefone, cabo ou ondas eletromagnéticas (rádio e satélite).

É o que promete e nova tecnologia BPL - Broadband over Power Lines, ou PLC - Power Line Communications, que nada mais é que a injeção de sinais de alta frequência na fiação elétrica, usando a estrutura já existente.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já aprovou o Regulamento sobre Condições de Uso de Radiofreqüências por Sistemas de Banda Larga por meio de Redes de Energia Elétrica (BPL) no País. A Resolução 527, que libera a adoção da nova tecnologia de internet, cuja prestação é feita pela rede elétrica, define critérios técnicos para o oferecimento do serviço através de comunicação de dados utilizando radiofreqüência na faixa entre 1.705 kHz e 50MHz.

O sistema BPL será oferecido através da instalação de um modem feito com chips de silício, desenvolvido por empresas de equipamentos tecnológicos. Por cabos ligados à tomada com o formato de um plug, o aparelho irá conectar a rede elétrica ao computador, meio pelo qual será disponibilizado o acesso à web com velocidade de cerca de 200 megabits por segundo e por onde o BPL irá receber os dados informáticos.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deve decidir em breve sobre o uso da rede de energia elétrica para a transmissão de internet em banda larga, superando o último entrave burocrático legal para início de funcionamento do sistema. Segundo especialistas, o serviço de banda larga pela rede elétrica (PLC) proporcionará conexão comparável com a dos serviços de banda larga em outras tecnologias, onde se oferece velocidade a partir de 300 kbps.

De acordo com áreas técnicas da Aneel, a transmissão em banda larga pelo sistema de energia elétrica não provocará interferência entre os dois serviços, uma vez que cada um trabalha com uma frequência própria.
Um diferencial do sistema é a capilaridade do acesso à energia elétrica no país, em mais de 90% das residências. Quem tem energia elétrica em casa poderá ter acesso à internet. Não precisa linha telefônica, cabo ou receptor de rádio.

Os equipamentos que vão ser utilizados no sistema BPL deverão ter certificação de uso específica reconhecida pela Anatel. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) irá dispor sobre a prestação do serviço elétrico. As empresas interessadas em prestar serviços de internet em sistema de BPL devem apresentar à Anatel, no mínimo 30 dias antes do início de suas operações, informações referentes à criação e à manutenção de uma base de dados pública.

Embora tenha ouvido se falar muito desta tecnologia em meados do ano 2000, no Brasil parece que ela não passou dos testes. Em 2001 houve com a Copel (Companhia Paranaense de Eletricidade) e, logo depois, a Cemig (Companhia Energética de Migas Gerais) e a Eletropaulo (Eletricidade de São Paulo) também anunciaram testes em tal ano. Porém, depois disto, a única notícia que tivemos sobre o PLC no Brasil foi em 21/12/2006, quando foi publicada a notícia da inauguração de uma pequena rede em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Uma das grandes desvantagens desse tipo de tecnologia é principalmente que o sinal acaba se corrompendo em distâncias muito longas, de acordo com os seguintes problemas: manter a alta velocidade com longas distâncias, pelo encapamento plástico "roubar" os sinais de alta frequência; os fios de cobre com tal frequência podem interferir em alguns equipamentos eletro-eletrônicos, por fazer com que os dados gerem ruído no espectro eletromagnético, além de haver possibilidade de corromper os dados pela captura do sinal de rádios e outros; da mesma forma, alguns aparelhos podem interferir na transmissão; emendas, "T"s, filtros de linha, transformadores, e o ligamento e desligamento de eletrônicos na rede elétrica causam ecos do sinal, por criar pontos de reflexão, com isso podendo haver corrupção dos dados; e a necessidade de instalação de "repetidores" em cada transformador externo, pois filtram sinais de alta frequência.

Os pontos favoráveis são a alta taxa de transmissão podendo chegar a até 40Mbps nas freqüências de 1,7MHz a 30MHz e a segurança, pois ao contrário da rede Wi-Fi, onde um usuário pode tentar se aproveitar do sinal do próximo, no PLC quem compartilha do mesmo “relógio”, não tem como compartilhar a conexão de rede, devido à criptografia com algoritmo DES de 56 bits.

Muitas empresas do setor de elétrica estão continuando seus testes, além de que tecnologias européias podem ser importadas, isso se nenhuma universidade brasileira desenvolver algo antes. O BPL se mostra como mais uma alternativa de inclusão à Internet, num país onde 95% da população possui energia elétrica. Além disso, como a infra-estrutura é de menor custo, esse sistema mostra-se como uma alternativa mais econômica para os usuários.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O lucro do lixo


Existe um conceito disseminado de que o maior benefício na reciclagem de lixo está na preservação do meio ambiente, mas existem outros benefícios, econômicos, que devem ser levados em conta, e muitas prefeituras e empresas já descobriram isso.

O meio ambiente sofre agressões constantes dos meios de produção contemporânea, que priorizam o consumo de produtos industrializados e poluidores. Além da questão ambiental, existe uma forte motivação que está levando as pessoas a se preocuparem com a sustentabilidade, ou seja, a preservação de recursos naturais e qualidade de vida para as futuras gerações, com a manutenção do padrão de consumo atual.

Muitos dos elementos poluidores da natureza hoje podem ser reaproveitados com duplo benefício: a redução do desperdício e volume de lixo, e a renda de sua reciclagem. Material de construção (entulho), papel, alumínio, vidro e até o lixo orgânico se transformam em produtos que irão evitar mais consumo de recursos naturais. A produção de materiais de consumo não poluentes, ou resultado de matéria prima reciclável também estão em alta no mercado.

Diversas cidades da região de Campinas, entre elas Americana, Artur Nogueira, Cosmópolis, Hortolândia, Jaguariúna, Nova Odessa, Paulínia, Pedreira, Santo Antonio de Posse, Sumaré, Valinhos e Vinhedo, por falta de espaço ou licenciamento de áreas para aterro, encaminham diariamente 3,8 mil toneladas de resíduos sólidos para o aterro da Estre Ambiental, de Paulínia, que trata os resíduos de maneira profissional.

É um bom negócio para as prefeituras, que gastam menos que em operação de aterros próprios, e melhor ainda para a Estre, que recicla e trata o chamado lixo classe 2, de residências e indústrias, obtendo renda com o crédito de carbono resultante do metano (captação e queima do CH4 a fim de atender aos propósitos do Protocolo de Kyoto), tratamento do chorume e reciclagem de materiais sólidos (plástico, papel, alumínio e vidros) pela Cooperativa (Cooperlínia) que funciona no local.

Quando a melhor solução para resíduos de classe I (resíduos industriais líquidos, sólidos ou pastosos) for a destruição térmica em fornos de cimento, a Estre utiliza técnicas de queima com aproveitamento do resíduo como potencial energético ou substituto de matéria-prima na indústria cimenteira, sem qualquer alteração na qualidade do produto final. No sistema de gerenciamento de triagem e reciclagem de matérias da construção civil, um britador com capacidade de 100 toneladas de entulho por hora, permite que a máquina transforme entulho em britas com diversas finalidades e aplicações.

No final das operações, previstas para 20 anos, a empresa se compromete a devolver o local com um bosque natural recuperado com plantas nativas da Mata Atlântica.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Inadimplência cresce em Campinas mas é estável na região



A inadimplência disparou no comércio de Campinas em julho, na comparação com o mês de junho, segundo levantamento da ACIC (Associação Comercial e Industrial de Campinas). As vendas caíram 2,63% na comparação feita com junho e cresceram 1,54% em relação a 2008, mas a inadimplência cresceu 22,28% na relação feita com o ano passado. De janeiro a julho o comércio em Campinas acumula 102.264 contas não pagas. O calote representa R$ 52 milhões.

Os índices de consumidores inadimplentes (devedores) no comércio da região oscilam de acordo com a realidade local, mas o movimento aponta para uma estabilidade na micro região, e até de queda do calote em geral. É o que acontece em Itatiba, onde os registros ao SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) apresentaram queda pelo segundo mês consecutivo, conforme balanço divulgado pela AICITA (Associação comercial e Industrial de Itatiba).

Em Louveira, apesar do aumento de pedidos de cobrança de cheques sem fundo, a inadimplência permanece estável, segundo avaliação de Jaílson Marinho, presidente da ACE (Associação Comercial e Empresarial) de Louveira. “O consumidor está usando menos cheques no comércio, e grande parte é de pré-datados nas compras a prazo, mas a maioria usa cartões de crédito”, avalia. Para Marinho, o aumento dos pedidos de cobrança também são resultado da maior divulgação deste serviço oferecido pela ACE.

Da mesma opinião partilha Marcos Ferraz, presidente da ACIVI (Associação Comercial e Industrial de Vinhedo). Segundo ele o setor ainda sente os reflexos da crise mundial, mas não há dados recentes sobre a inadimplência, pois o uso do cartão de crédito aumentou e tal forma de pagamento só exige a consulta por parte da operadora, na hora de aceitar a proposta do cliente. "Com o crescimento dos cartões, automaticamente caíram o uso de cheques e as consultas aos serviços de proteção ao crédito", ressaltou Ferraz.

Cheques

Os dados da Região Metropolitana confirmam a redução no uso de cheques. No 1º semestre de 2009 foram compensados na RMC, cerca de 15.158 milhões de cheques, 11,8% menos que o 1º semestre de 2008, quando foram compensados 17.197 milhões. Desse montante foram devolvidos por falta de fundos no 1º semestre, cerca de 307,4 mil cheques, 0,4% acima dos 306,4 mil de 2008. Na relação cheques devolvidos a cada mil aumentou 13,75%. Foram 20,27 cheques devolvidos por 1.000 compensados de 2009, contra os 17,82 cheques devolvidos por 1.000 compensados de 2008. Em relação a valores, os 307,4 mil cheques devolvidos em 2009, representaram um total de R$ 299,5 milhões, correspondendo ao valor médio de R$ 974,30 por cheque devolvido por falta de fundos. Em 2008, essa relação foi de R$ 251,2 milhões, e de R$ 820,00 por cheque devolvido por falta de fundos. Observa-se que em termos de valores, o total de cheques devolvidos por falta de fundos de 2009, foi 19,0% superior ao de 2008.

Em nível nacional a relação cheques devolvidos / 1.000 compensados foi de 23,10 cheques devolvidos por 1.000 compensados em 2009, contra 19,90 cheques devolvidos por 1.000 compensados em 2008, o que representou uma expansão de 16,0% na devolução, portanto a devolução na RMC ficou em 13,75%, um pouco abaixo da média nacional. Especificamente no mês de Junho atual, foram devolvidos na RMC, cerca de 47.900 cheques sem fundos, contra os 45.600 de Junho de 2008, representando uma expansão de 5,04% no volume de cheques devolvidos.

Melhorias

O Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor aponta para uma melhora na economia e menor inadimplência do consumidor no início do 2º semestre. A inadimplência do consumidor abriu o segundo semestre de 2009 em desaceleração. Na relação anual, julho 2009/2008, a evolução na inadimplência do consumidor foi de 6,9%, bem abaixo do verificado na comparação do 1º trimestre de 2009 (+11,4% em relação ao 1º trimestre de 2008), bem como comparativamente ao 2º trimestre de 2009 (+9,4% frente ao 2º trimestre de 2008).

Segundo os analistas da Serasa Experian, a perda de fôlego na inadimplência do consumidor, é devida a melhora na atividade econômica, já a partir do 2º trimestre de 2009, com os primeiros sinais de contratação de mão de obra; do retorno do crédito, com prazos mais longos, e o regresso das negociações de dívidas; das taxas menores de juros e do aumento na confiança do consumidor, que já começa a enxergar a crise pelo retrovisor.

Mesmo em ritmo desacelerado, a inadimplência do consumidor teve crescimento de 9,9% nos sete primeiros meses de 2009, na comparação com o mesmo período do ano anterior, depois de ficar estabilizada no acumulado de janeiro a maio (10,3%) e no semestre (10,4%). É interessante destacar que de janeiro a julho deste ano houve o agravamento da crise financeira internacional, concentrada no primeiro trimestre, enquanto que no mesmo intervalo de 2008, a economia crescia.

Em Itatiba, além da queda de inadimplentes, foi registrado aumento nas consultas do SCPC, o que significa mais consumidores comprando. Conforme o balanço divulgado dia 20/08 pela AICITA, foram incluídos 868 débitos em julho contra 999 em junho e 1.221 em maio. Ao mesmo tempo, os cancelamentos – que demonstram a preocupação dos consumidores em quitar suas dívidas e limpar o “nome na praça” – saltaram de 640 em junho para 714 no mês passado, mostrando que a retomada do crédito ajudou a renegociação de débitos no período.

Outra boa notícia para a economia itatibense é que as consultas ao SCPC – termômetro das vendas a prazo – também cresceram, favorecidas pelo clima frio e liquidações, sobretudo, de roupas de calçados. Foram feitas 18.985 consultas em julho contra 18.600 em junho. As consultas já tinham crescido de abril a maio (14.674 a 16.466 ) e de maio a junho (16.466 a 18.600).

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Berra Vaca anima a "Picareta" neste sábado em Barão Geraldo



A Associação Etílico Carnavalesca Berra Vaca, entidade com fins libertários estabelecida em Barão Geraldo e redondezas do distrito de Campinas, anuncia mais uma edição da "Picareta", evento destinado a descontrair os foliões diante da insistência de picaretagens e baixarias dos políticos do nosso País no Congresso, governos e outras casas parlamentares e de fácil corrupção.

O evento ocorre neste sábado, dia 15 de agosto, com início a partir das 23 horas na Banca Central de Barão Geraldo. A "Picareta" é a versão baronense da micareta, carnaval fora de época que é realizado em várias regiões do Brasil.

O grande homenageado deste ano é o presidente do Senado, José Sarney, protagonista de mais uma mega picaretagem exaustivamente denunciada pela imprensa, e que se nega a largar as tetas da vaca, não de Barão, mas do Planalto. Traga seu bigode vassourinha e participe.

O bloco carnavalesco “Berra Vaca”, fundado em 1999, participa e anima o Carnaval de rua em Barão Geraldo desde o ano de 2000, sendo pioneiro neste tipo de manifestação popular no distrito. A origem do seu nome surge para fazer companhia à lenda mais popular do distrito, a história do “Boi Falô”. Na terra do "Boi Falô" a vaca berra.

Seu espírito descontraído atraiu a participação de residentes e pessoas ligadas de várias maneiras a Barão Geraldo, e nos últimos anos tem contado com a integração de pessoas de outras regiões de Campinas e mesmo de outras cidades. O grupo original de participantes conta com profissionais das mais variadas formações, como, atores, músicos, engenheiros, psicólogos, advogados, médicos, professores, jornalistas, etc., todos unidos para resgatar composições brasileiras do passado bem como trazer novas contribuições para a festa popular.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Caminho aberto ao trabalho escravo


Lula falou para o Luppi que falou para a Lucíola que falou para um aspone que mandou o Figueiredo falar para o jornalista que não era mais para falar para a imprensa que havia trabalho escravo e degradante de nas lavouras de cana do interior paulista.

O Lula é aquele que não sabia, o Carlos Luppi é o ministro que não trabalha, a Lucíola é quem pariu Léo Jaime, o aspone ( assessor de porra nenhuma) ninguém sabe quem é, e Roberto Figueiredo, coordenador do Grupo Móvel de Fiscalização Rural do MTE no interior paulista, desde então não fiscalizou mais nada.

O jornalista não obedeceu porque não deixaria de cumprir seu dever de ofício, e foi demitido por razões obscuras que podem ser explicadas pela sequência acima.

Passados doze meses o Lula voltou a justificar o trabalho degradante nas lavouras de cana comparando com o trabalho dos mineiros de carvão da Inglaterra, que segundo ele seria pior que no Brasil e aqui pode se matar o braçal porque a produção de energia assim o exige.

O impacto na mídia foi extremamente o oposto do ano anterior, quando a Folha de São Paulo estampou na primeira página as provas da exploração da mão de obra barata pelos “heróis do Brasil”, classificados assim na época pelo presidente, apesar das evidências em contrário.

O 'Fantástico' da Globo, que denunciava trabalho escravo outrora, hoje elogia as relações trabalhistas 'politicamente corretas' dos coronéis da cana.

É uma prova contundente de que o caminho está livre para que possa receber recursos de campanha e emplacar sua candidata ao Planalto para mais quatro anos de exploração de trabalho escravo.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Teatro feito na hora


Os Bartores é resultado de uma tese de mestrado da diretora Marina Elias, e conta com o improviso e a criatividade, com boa participação do público, para desenvolver enredos e situações a partir de palavras e fases sugeridas. Antes de entrar no teatro, o público é convidado a escrever palavras e frases que depois darão o direcionamento das cenas no espetáculo.

Como o próprio nome do grupo diz, é uma montagem com atores feita para ser apresentada em bares, mas que tem conquistado os palcos na região. O espetáculo nunca é o mesmo, e depende do desempenho dos atores para o desenrolar do enredo.

É um jogo de cena, um exercício da improvisação com palavras, coreografia e imaginação, que envolve o público estimulando a participação com a sugestão de palavras e também soluções para as cenas. A cada quadro o público se envolve mais e chega a formar uma torcida, apostando nas disputas de interpretação que ocorrem no palco.

sábado, 18 de julho de 2009

Só a tecnologia pode evitar a fome mundial


A previsão do pensador inglês Thomas Malthus, que projetava há 200 anos um crescimento populacional em proporção geométrica, enquanto a produção de alimentos aumentaria em proporção aritmética, caiu em descrédito com a impressionante evolução da produtividade agrícola no século 20.

Hoje, no entanto, o fantasma da fome volta a assombrar o mundo, por conta do grande aumento da demanda por alimentos, principalmente em países asiáticos de grande concentração populacional, que experimentam um salto em qualidade de vida e consumo. Acrescente-se o aumento de preços das commodities agrícolas e a alta dos preços de combustíveis, e temos um cenário preocupante.

Os produtos que mais subiram de preço nos últimos anos foram arroz, milho, soja e trigo, justamente os mais consumidos como alimentação básica. O redirecionamento da produção do milho nos EUA para produção de etanol também concorre para ampliar as dificuldades de abastecimento de alimentos, comprometendo toda a cadeia produtiva, porque o milho, grão mais consumido no mundo, compõe também a ração animal e grande parte dos alimentos industrializados.

Uma nova realidade, a dos alimentos caros, preocupa a humanidade, atualmente com 6,7 bilhões de pessoas, a maioria com hábitos de consumo ampliados. A crescente demanda exige um expressivo aumento de produção. Os investimentos concentrados em alta tecnologia são a melhor alternativa para ampliar a produção.

Limitada pela geografia, pelo clima, disponibilidade de água, estrutura fundiária e outros fatores, a expansão agrícola mundial depende em muito da tecnologia para atender à demanda atual e futura por alimentos.

O mundo olha com atenção para os campos agrícolas brasileiros em razão da sua competitividade quase sem concorrência. Um dos grandes países em produtividade e emprego de alta tecnologia, o Brasil possui uma série de vantagens naturais, como clima favorável, água e terras em abundância para a utilização agrícola. O país é líder mundial de exportação de açúcar, café, suco de laranja e soja.

O Brasil - país com a maior fronteira agrícola do mundo - mais que dobrou a produção de grãos nos últimos 30 anos, chegando ao recorde projetado de 143,7 milhões de toneladas (Conab) a 145,1 milhões (IBGE) na safra 2007/2008. O País possui ainda 133 milhões de hectares ainda não explorados ou usados para a criação de animais, sem tocar na região Amazônica.

A produtividade é a principal responsável por esse crescimento, que não foi acompanhado pelo respectivo aumento da área plantada. Os investimentos em tecnologia elevaram a produtividade das lavouras de soja em 10% e de milho em 20,5% nas últimas três safras no Brasil.

O Brasil está marcado para ser uma das grandes potências mundiais do agronegócio. A atual posição do país no mercado agrícola mundial deve-se, essencialmente, à capacidade empreendedora dos agricultores. A grande evolução tecnológica e de produtividade obtida nas últimas décadas representa uma das mais bem-sucedidas histórias de empreendedorismo do capitalismo brasileiro.

Nenhum outro país do mundo tem potencial de desenvolvimento agrícola tão grande quanto o brasileiro. São as conhecidas deficiências do Brasil, principalmente de infra-estrutura, o maior entrave para retardar sua consolidação como maior produtor de alimentos do mundo.

Outras dificuldades são superáveis pela mudança de cultura. São necessários maior profissionalização, melhor organização, estudos de logística e aplicação de técnicas de alta tecnologia para alavancar o ciclo de expansão da agricultura, que deve perdurar até 2015.

O setor agrícola, responsável em grande parte pela evolução da economia nos últimos anos, está recebendo, em uma providência oportuna do governo, aporte de recursos da ordem de US$ 6 bilhões para financiamento da produção da próxima safra. São recursos destinados, principalmente, aos investimentos em equipamentos e tecnologia.

É preciso investir em produção de escala para ganhar competitividade. Uma revolução técnica permitiu a ocupação do Cerrado com uma expansão agrícola que representa o fenômeno mais importante da agricultura brasileira. Foi o primeiro grande movimento para transformar o Brasil em um dos maiores mercados de agroquímicos do mundo.

O ciclo agrícola do Cerrado ainda não se encerrou. A tecnologia resolveu os problemas de acidez e de baixa fertilidade das terras de cerrado, que se tornou mais apto devido, também, à descoberta de novas variedades de sementes (o exemplo mais notável tendo sido a soja), sem falar na melhoria genética e em outros resultados da pesquisa na região.

A agricultura brasileira teria ficado limitada às regiões Sul e Sudeste, em face das graves limitações de uso da terra nas regiões Norte e Nordeste, sem a expansão agrícola do cerrado. O movimento tem sido criticado em função do predomínio da produção em grande escala, altamente mecanizada, com pequeno espaço para a agricultura familiar e uma absorção muito pequena da mão de obra agrícola de baixa qualificação. Esse modelo, no entanto, é fundamental para ampliar a produção e atender à demanda com competitividade.

A concentração do mercado em grandes produtores é um fenômeno mundial. Os dados dos Estados Unidos e da Europa que mostram que lá acontece a mesma coisa: um número grande de pequenos produtores sai da atividade, arrenda a terra ou parte para culturas mais intensivas, em movimento semelhante ao que acontece em outros setores econômicos..

O próprio fenômeno da migração para o cerrado começou desta forma: produtores do Sul que tinham 50 hectares, passaram a comprar 500 a 1 mil hectares no cerrado. É uma consolidação da produção em escala, característica do mercado de commodities.

O campo vem reagindo para ampliar a oferta de alimentos há mais tempo do que se imagina. Os investimentos em tecnologia são muito altos na cultura da soja, mas ainda há muito espaço para crescer na produção de milho. Existe ainda um longo caminho a ser percorrido em termos de uso de variedades e de aplicação de defensivos e fertilizantes. A velocidade das economias emergentes tem sido rápida e o consumo de alimentos segue o mesmo ritmo.

O agricultor brasileiro investe significativamente em tecnologia para ampliar a produção de alimentos. Ninguém produz soja com tanta eficiência quanto os produtores brasileiros. Soja e milho estão entre as culturas que registram aumentos sucessivos no uso de defensivos mais eficientes no controle de pragas e doenças nas últimas safras.

Mas pode ser melhorado. Dos 13 milhões de hectares cultivados com milho, cerca de 4 milhões de hectares são áreas de muito baixa tecnologia, que entram nos dados oficiais e puxam a média de produtividade do Brasil para baixo. Nos produtores de ponta, a colheita supera 8 mil quilos por hectare, equivalente ao que produzem os Estados Unidos. Temos o mesmo potencial de crescimento, mas o alto nível de produtividade ainda não é o padrão.

Portanto, o mercado que investe em insumos do milho gira em torno de 9 milhões de hectares. Destes, uns 30% correspondem a alto investimento. Um fenômeno muito interessante é a evolução da safrinha: quando começou no Brasil, ela praticamente não existia e tinha baixo nível de produtividade muito menor do que a safra verão. Hoje, a área de quase 3 milhões de hectares conta com alto nível de investimento em tecnologia.

O aumento da produtividade passa necessariamente pelo aumento de consumo de defensivos, e o produtor deve ser conscientizado sobre os benefícios. A utilização de defensivos no Brasil ainda é baixa em comparação com o resto do mundo, e a demanda para controle de doença, praga e erva daninha é muito maior por tratar-se de área tropical.

A produtividade média da soja no Brasil cresceu 10,3% e o número de aplicações de defensivos aumentou 5,3% nas três últimas safras, conforme pesquisa realizada pela Kleffmann. Impulsionado pelo uso de produtos mais modernos, o investimento em produção - dólar/hectare (US$/ha) - também foi ampliado, chegando a 31,2% nas três últimas safras.

Esse resultado demonstra que o Brasil consolidou sua posição entre os mais importantes mercados de agroquímicos do mundo. Prova disso é que, ano após ano, o agricultor passou a lutar para reduzir as perdas na lavoura, modificando a linha dos produtos que utilizava e adotando o tratamento de sementes para garantir maior produtividade.

Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso registraram aumento da produtividade média no período das três safras, chegando a 3,4 toneladas por hectare no Mato Grosso contra a média nacional de 3,1 toneladas por hectare. Além do evidente aumento de tecnologia, as condições climáticas também foram favoráveis.

Os dados integram o maior levantamento de informações do setor agrícola do mundo. Trata-se de uma pesquisa realizada desde 1998 para acompanhamento da evolução de mercado, por meio de repetição amostral periódica. O levantamento realizado junto a produtores aponta que o produtor não só aumentou o número de vezes que aplicou, como também ampliou o mix de produtos.

Na região Sul do Brasil, o investimento por hectare cresceu 47%, com os produtores utilizando misturas mais modernas. A pesquisa mostrou também que produtos com maior tecnologia, que atuam de forma diferente dos tradicionais, praticamente dobraram seu mercado nas últimas safras.

Existem ainda outras novas tecnologias disponíveis: os transgênicos; o plantio direto, que vem crescendo significativamente; o uso de sementes geneticamente melhoradas; e a tecnologia de tratamento de sementes, que não existia antes. A biotecnologia é uma grande aliada não só em termos de produtividade, mas também para reduzir impactos ambientais. No segmento específico de defensivos, existe um investimento grande em fungicida e do uso de inseticidas mais modernos, que têm um impacto menor no meio ambiente.

A soja sempre foi o principal mercado de defensivos no Brasil como é para fertilizantes e máquinas. As sementes de soja são tratadas não apenas com fungicidas, mas também com inseticidas. Além disso, no caso do milho, os agricultores já adotam, em 20% da área, o fungicida foliar. O fungicida, que sempre teve importância menor no Brasil, passou a ter importância maior. E isso agora está migrando para outras culturas, crescendo no mercado de algodão e milho. Hoje o mercado de fungicida tem praticamente o peso que o de herbicidas.

O glifosato, defensivo mais vendido no mundo, é usado em praticamente toda a área de milho e soja, mas também registra um consumo crescente no algodão. O consumo deste produto no Brasil cresce amarrado à rápida expansão do uso de tecnologia transgênica, que já representa cerca de metade do mercado.

Outra limitação para expansão da produção agrícola no mundo todo são as extensas áreas de pastagens da pecuária, onde o Brasil também se destaca como um dos maiores produtores. O pecuarista tem restrições com a tecnologia e a adoção é baixa por uma questão cultural: coloca muito mais atenção em boi, que em pasto. Não usa corretamente os produtos na melhoria da qualidade da pastagem, o que permitiria produzir mais com melhor qualidade em áreas menores.

A ocupação de grandes áreas para plantio de cana-de-açúcar destinada à produção de etanol também é apontada como fator de limitação para a expansão do plantio de alimentos. Estudos revelam, no entanto, que o crescimento desse setor está desacelerando por conta da conjuntura econômica. O Brasil explora muito bem esse segmento, com uso de altas tecnologias e produtividade, o que não acontece com a fruticultura, por exemplo, onde o desempenho é muito inferior a países como Chile.

Os discípulos de Malthus, portanto, terão que esperar, talvez, mais dois séculos para verem a teoria da fome mundial vingar. A ciência provou que é capaz de dar respostas aos problemas históricos do setor agrícola, e deve provar também nos próximos anos. No caso dos defensivos, a opção do produtor é investir, porque o mercado exige competitividade. Ele pode até administrar o produto de acordo com sua necessidade, mas não pode desprezar a tecnologia.